segunda-feira, 8 de agosto de 2011

utopia?

Que raio de bicho é este?
Mesquinho, ingrato, e que se apoderou tão rápido do meu corpo frágil de asas de menina e coração de mulher.
Tomara que eu alguma vez consiga transpôr para o papel ou outro qualquer meio público toda aquela confusão que no privado me faz sentido.
Esta dor faz doer o coração, faz tremer as mãos e faz-nos palpitar de toda a vez que o ocupante secreto da nossa saudade nos arrebata sem dó nem piedade, nos rasga em farrapos ou nos desfaz em cacos. É esta vontade imensa de querer estar contigo que me faz atingir o estreito limite entre o bom senso e a loucura. É esta vontade interminável de te querer tocar com este meu jeito invisível. Ou esta vontade crescente de querer falar mesmo que seja para nada dizer, ou até mesmo fazendo do silêncio o nosso meio comunicativo de preferência.

sábado, 14 de maio de 2011

disto da escrita

É tão irracional a maneira como por vezes um oceano de palavras rompe as nossas origens, ou quando nos vemos prontos a entrar num novo mar de frases sem nexo, apenas com as meias certezas que povoam a nossa mente naquele instante. A verdade é que esta corrente frenética que consome os meus dedos, fazendo-os interagir com o teclado não é só um estímulo do momento, é mais do que isso; é uma imensidão de sentimentos que querem saltar cá para fora, fazer-se ouvir, e que não aguentam mais a prisão de uma consciência desprovida de validade. A verdade é que me palpita o coração sempre que me vejo envolta numa infinidade de metáforas que descrevem na perfeição o meu raciocínio e que eu quero a todo o custo transpor. Esta sensação de alívio, com um misto de dor e de felicidade instantânea faz-me querer chamar à escrita uma arte. Não é a arte de saber colocar as vírgulas nos locais correctos ou o talento de não esquecer um ou outro acento, por aqui ou acolá; é tão mais do que isso. É uma vontade imensa de abraçar o Mundo, neste tic tac frenético que realizo quando as teclas do teclado sentem a minha presença, ou quando o meu lápis visita o papel e deixa a sua marca, uma marca de grafite carregada de sentimento. Além disso escrever é esta capacidade extraordinária de criar novas expressões, de criar ilusões e de destruir falsas percepções. Um escritor é um sofredor, como por aí dizem. Terá isto o seu ponto de razão? A verdade é que cada vez que me sinto pronta a entrar numa nova onda de palavras que desencadeiam diferentes afirmações, sinto que a melancolia me arrasta consigo, me pega pela mão sem sequer saber do meu nome e acaba por me levar consigo entrelaçada. E eu confesso que por vezes tenho medo deste poder da escrita, que me faz deprimir, que me faz encolher e fechar no meu casulo. De todas as vezes que a vontade de escrever me vence, acabo sempre por falar em sentimentos falhados ou promissores. E todos sabemos que a verdade está aí: a escrita puxa o nosso lado mais sentimental, atira-lhe uma pequena corda e fá-lo chegar ao cume. Tal como a melancolia por vezes me entrelaça.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

"des"perfeita

Em todas as ruas que vejo as minhas pegadas marcadas da minha suave passada, sinto que poderia ter feito melhor. Que poderia ter marcado mais a minha pisada, ou até que pudesse alargar o tamanho da pegada.
A verdade é que sou insatisfeita, sinto-me insatisfeita. Penso sempre que poderia ter feito de outra maneira. E a verdade é que isso acaba sempre por me queimar o pescoço, por me tremer as mãos, por fazer a minha consciência abandonar-me por longos momentos.
Que ideia tão louca a minha de querer abraçar o Mundo com duas mãos anãs, que medem pouco mais de meia dúzia de céntímetros. A verdade é que a ideia intatingível de perfeição sempre se ligou a mim, sempre se alapou no meu próprio corpo comandando o pingo de consciência que me restava. Sempre quis ser boa em tudo, estar presente em todas as frentes, abraçar projectos. Nem sabes a vontade que tenho de ter a minha independência resolvida, de criar novos projectos e de me sentir realizada. Acabei de ouvir o sussurro que provém das minhas terras longíquas e que me dizia "Não precisas da perfeição para seres boa". Que agradável ideia, que inimaginável conceito que rompe a minha selinidade. Seria tão melhor, tão mais perfeito que a ideia de perfeição me deixasse.

sábado, 26 de junho de 2010

,.,.

A página continua em branco, as ideias varrem-se de mim. Já nem um simples texto consigo terminar. Que raio estarei eu a fazer? Uma miúda de ideias fixas que contempla um rapaz com mãos de homem e sorriso de criança. Um rapaz com jeitos de menino e habilidade suficiente para prender a ele todos os seres que o vejam, nem que se trate apenas de uma vez. Era capaz de olhar indefinidamente para ti. Olhar, até a minha vista se cansar, sem pestanejar, fazendo um esforço descomunal para que o meu olhar atento não te largasse nem uma única vez. Percorreria cada recanto da tua face, olharia esses teus olhos de um castanho imenso e desejaria unir-nos para sempre, se tal fosse possível, se tal fosse alcançável aos meus humildes desejos. Passaria a mão desajeitadamente na tua pálida face, marcada pela cruel adolescência, respiraria bem fundo e não precisaria de mais nada. Nem de um pouco de água para matar a sede, nem de um pedaço de pão para matar a fome, estaria já saciada. Percorreria cada madeixa do teu cabelo perfumado, com a sensação de que estava aos poucos a curar o meu coração com a tua ajuda, quando no entanto nem um movimento te percorria o corpo. Moveria montanhas para provar um pouco do sabor que todos falam, daquele tal que enche corações e os despedaça simultaneamente, daquele que dizem ser muito precioso, daquele que cada vez mais se desvanece. Daquele tal que me atormenta a cabeça e o coração, que me enche de esperanças e me cobre de desilusões, aquele tal que eu desconheço, mas que insiste em chatear-me o juízo que me resta. O que eu faria!

Quando...

Quando chegares, bem perto de mim, a sussurrar-me ao ouvido, quero que seja uma entrada espontânea. Quando chegares, bem junto dos meus sonhos e agitares-me com os teus encantos, quero que fiques para sempre, se para sempre for até o amor não se desligar dos nossos unidos corações. Quando chegares de malas e bagagens, pronto para ficar, quero estar liberta de tudo o que me atormentou estes anos em que não estiveste cá comigo. Se vieres para junto de mim, quero ter a certeza de que faremos tudo bem, de modo a prolongar o nosso humilde amor para sempre. Quando chegares, quero que me abanes da cabeça aos pés, espalhando por aí todos os meus piores defeitos. Quando chegares, quero que me tornes melhor. Quando chegares amor, com um cheiro doce, e com sabor a chocolate, não quero mais largar-te. Quando chegares, aqui, vou amarrar as tuas mãos às minhas para não mais se largarem, e os meus braços envolverão o teu pescoço até que algo desfaça o abraço prolongado. Quando chegares, se chegares, quero ter a certeza que me libertei de todas as fraquezas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

01

Estou cansada de me cansar e de me decepcionar com o que vejo, de viver dormente e apagada neste mundo frio e deprimente. Párem borboletas, que me inundam a barriga sempre que te vejo. Cala-te boca, para que não possas acusar, nem mais uma vez aqueles que merecem julgamento. Fechem-se olhos, para que não vejam nem mais um segundo a desilusão que inunda o mundo e me percorre as veias. Que se calem todos aqueles que murmuram o meu nome em vão, e todos aqueles a quem eu pedi, mas nunca me deram pão. Cala-te natureza para que possas ouvir o meu grito: AAAHHHHHHHHHHHHHHHHH, a minha chamada para chegares, Amor. Grito mais alto para que sintas a minha existência, quando no entanto nem te passa pela cabeça que mergulhaste no meu pensamento e deixaste a tua essência.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

se soubesses


Se soubesses que cada sorriso teu serve para iluminar 10 meus. Se soubesses que, apesar de tudo continuas a mesma menina dócil, com caracóis e sempre bem-disposta. Se soubesses que por muito afastada que sejas das pessoas, eu continuo aqui a torcer por ti. Mantive-me sempre no mesmo sítio... mas agora, agora vai ser mais difícil encontrares-me. Mas... Não faz mal, não faz mal, eu mesma tenho ido todos estes anos à tua procura. Se soubesses que cada vez que me magoas caiem pequeninas lágrimas, que se multiplicam todos os dias, dos meus olhos castanhos escuros. Se soubesses que apesar de me desiludires, continuo aqui. Se soubesses que fico triste cada vez que me deixas de lado da tua rotina. Se soubesses que ainda me lembro tão bem da palhaça que me alegrava os dias mais escuros. Sabias que ainda guardo todas as nossas gargalhadas para as partilharmos novamente? Sabias que gostava de mais atenção da tua parte? É com saudades que, evidentemente, me lembro de todos os momentos bons, mas agora, agora, são apenas isso... momentos bons, recordações boas. E agora, agora, já estou a aprender a olhar para trás com um sorriso, em vez de olhar com uma lágrima prestes a escorrer pela minha pálida face. Mas a saudade, essa fica sempre. Não quero que sejas perfeita, só quero a amiga de sempre ao meu lado.