sábado, 26 de junho de 2010
,.,.
A página continua em branco, as ideias varrem-se de mim. Já nem um simples texto consigo terminar. Que raio estarei eu a fazer? Uma miúda de ideias fixas que contempla um rapaz com mãos de homem e sorriso de criança. Um rapaz com jeitos de menino e habilidade suficiente para prender a ele todos os seres que o vejam, nem que se trate apenas de uma vez. Era capaz de olhar indefinidamente para ti. Olhar, até a minha vista se cansar, sem pestanejar, fazendo um esforço descomunal para que o meu olhar atento não te largasse nem uma única vez. Percorreria cada recanto da tua face, olharia esses teus olhos de um castanho imenso e desejaria unir-nos para sempre, se tal fosse possível, se tal fosse alcançável aos meus humildes desejos. Passaria a mão desajeitadamente na tua pálida face, marcada pela cruel adolescência, respiraria bem fundo e não precisaria de mais nada. Nem de um pouco de água para matar a sede, nem de um pedaço de pão para matar a fome, estaria já saciada. Percorreria cada madeixa do teu cabelo perfumado, com a sensação de que estava aos poucos a curar o meu coração com a tua ajuda, quando no entanto nem um movimento te percorria o corpo. Moveria montanhas para provar um pouco do sabor que todos falam, daquele tal que enche corações e os despedaça simultaneamente, daquele que dizem ser muito precioso, daquele que cada vez mais se desvanece. Daquele tal que me atormenta a cabeça e o coração, que me enche de esperanças e me cobre de desilusões, aquele tal que eu desconheço, mas que insiste em chatear-me o juízo que me resta. O que eu faria!
Quando...
Quando chegares, bem perto de mim, a sussurrar-me ao ouvido, quero que seja uma entrada espontânea. Quando chegares, bem junto dos meus sonhos e agitares-me com os teus encantos, quero que fiques para sempre, se para sempre for até o amor não se desligar dos nossos unidos corações. Quando chegares de malas e bagagens, pronto para ficar, quero estar liberta de tudo o que me atormentou estes anos em que não estiveste cá comigo. Se vieres para junto de mim, quero ter a certeza de que faremos tudo bem, de modo a prolongar o nosso humilde amor para sempre. Quando chegares, quero que me abanes da cabeça aos pés, espalhando por aí todos os meus piores defeitos. Quando chegares, quero que me tornes melhor. Quando chegares amor, com um cheiro doce, e com sabor a chocolate, não quero mais largar-te. Quando chegares, aqui, vou amarrar as tuas mãos às minhas para não mais se largarem, e os meus braços envolverão o teu pescoço até que algo desfaça o abraço prolongado. Quando chegares, se chegares, quero ter a certeza que me libertei de todas as fraquezas.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
01
Estou cansada de me cansar e de me decepcionar com o que vejo, de viver dormente e apagada neste mundo frio e deprimente. Párem borboletas, que me inundam a barriga sempre que te vejo. Cala-te boca, para que não possas acusar, nem mais uma vez aqueles que merecem julgamento. Fechem-se olhos, para que não vejam nem mais um segundo a desilusão que inunda o mundo e me percorre as veias. Que se calem todos aqueles que murmuram o meu nome em vão, e todos aqueles a quem eu pedi, mas nunca me deram pão. Cala-te natureza para que possas ouvir o meu grito: AAAHHHHHHHHHHHHHHHHH, a minha chamada para chegares, Amor. Grito mais alto para que sintas a minha existência, quando no entanto nem te passa pela cabeça que mergulhaste no meu pensamento e deixaste a tua essência.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
se soubesses

Se soubesses que cada sorriso teu serve para iluminar 10 meus. Se soubesses que, apesar de tudo continuas a mesma menina dócil, com caracóis e sempre bem-disposta. Se soubesses que por muito afastada que sejas das pessoas, eu continuo aqui a torcer por ti. Mantive-me sempre no mesmo sítio... mas agora, agora vai ser mais difícil encontrares-me. Mas... Não faz mal, não faz mal, eu mesma tenho ido todos estes anos à tua procura. Se soubesses que cada vez que me magoas caiem pequeninas lágrimas, que se multiplicam todos os dias, dos meus olhos castanhos escuros. Se soubesses que apesar de me desiludires, continuo aqui. Se soubesses que fico triste cada vez que me deixas de lado da tua rotina. Se soubesses que ainda me lembro tão bem da palhaça que me alegrava os dias mais escuros. Sabias que ainda guardo todas as nossas gargalhadas para as partilharmos novamente? Sabias que gostava de mais atenção da tua parte? É com saudades que, evidentemente, me lembro de todos os momentos bons, mas agora, agora, são apenas isso... momentos bons, recordações boas. E agora, agora, já estou a aprender a olhar para trás com um sorriso, em vez de olhar com uma lágrima prestes a escorrer pela minha pálida face. Mas a saudade, essa fica sempre. Não quero que sejas perfeita, só quero a amiga de sempre ao meu lado.
terça-feira, 6 de abril de 2010
para "mart"
Não me lembro do início, mas também não quero sequer pensar num ponto final. Tenho um sorriso cravado na cara quando estou com vocês, e sim, ensinaram-e a ver as coisas de outra maneira. Somos todas umas pitinhas muito fofinhas que só fazem parvoíces, um obrigado sincerooooo (;
adoro-vos bonecaaaas C;
adoro-vos bonecaaaas C;
(re)aprender
Tenho aprendido muito, e espero que este desejo pelo conhecimento se multiplique, multiplique, e multiplique vezes sem conta. Não, não, não, as coisas não estão em livros nem em enciclopédias, melhor era se estivessem, mas, ainda ninguém teve a coragem de o escrever, apenas de partilhar as suas memórias e sentimentos. E não, não é assim que aprendemos, a partilha por vezes revela-se insuficiente. Temos de ser nós próprios a experimentar, a saborear o amargo das nossas acções inconscientes e rápidas, tão rápidas que por vezes não nos apercebemos delas. E depois, depois temos que bater com a cabeça vezes sem conta, temos que repetir sempre o mesmo erro, mesmo quando a dor já não nos deixa levantar a cabeça, quando se encontra mergulhada em lágrimas, acabamos sempre por repetir o que fizémos de mal... mas, um dia, acredito que dia, teremos capacidades para deixarmos esse erro de lado, e, partir para outro, e cometer esse mesmo erro centenas de vezes até nos apercebermos que estamos errados- apesar de por vezes, o fazermos inconscientemente, por ilusões e desilusões, que nos prometem a entrada numa nova dimensão- mentira. Aprendi a confiar tanto nas pessoas, sempre apostei nas pessoas, depositava sempre demasiadas esperanças nelas, confiava em muitas de olhos fechados; acreditava que a amizade era para sempre; mas nada, nada mesmo é para sempre. A realidade tornava-se pesada, quando sonhava era a melhor maneira de me escapar deste mundo terrível pintado de ódio e de desilusão. Tal como qaundo subimos umas escadas, de olhos fechados, não sabemos onde colocar os nossos frágeis pés, estamos vulneráveis a qualquer queda. E o pior, o pior é quando colocamos o pé em falso, pensando que existe ainda mais um degrau- mas não, não, o nosso pé foi colocado no vazio, e aí ficou. O que pensávamos que havia não passava de uma mentira, e nós fomos o alvo desse engano. De outra vez serão outros, acontece a todos. Malditas escadas, maldito degrau, maldito vazio, malditas ilusões. Mas depois, depois, já sabemos com o que podemos contar, e aí não vamos mais colocar um pé em falso à procura de um degrau, porque já sabemos que ele não vai lá estar para nos agarrar, para nos apoiarmos nele, até que possamos encontrar um terreno mais firme onde possamos estar. Aí, vamos finalmente aprender ou reaprender, porque nem sempre é bom vermos com o coração; afinal a nossa cabeça serve para algo.
terça-feira, 23 de março de 2010
hakuna matata

O ambiente por aqui anda-se a tornar um pouco desagradável, chega de filosfias e de sentimentalismos, por hoje (:
Deixo aqui uma letra de uma música que hoje me lembrei de andar a cantarolar.
Hakuna Matata,
é tão fácil dizer.
Hakuna Matata,
sim vais perceber.
Os teus problemas
são para esquecer.
Para sobreviver,
tens que aprender.
Hakuna Matata!
corre

Não importa o tempo que demores. Mexe-te. preciso de ti. É tão fácil. Corre. Anda lá, não queiras perder tempo, não queiras encher-me de mais desassossego, a paciência está a esgotar-se e o tempo também. Não, não basta um passo para cá chegares. Corre. Tens barreiras? Eu sei, nem sempre é fácil chegar onde queremos. Salta por cima delas. Anda lá, o segundo passo é dos mais importantes. Não estejas indeciso. Sabes que te espero há muito, muito tempo, tempo demais. É difícil fazer agora a conta de todos os segundos que já esperei por ti, nem o quero fazer, dava a ideia de que o tempo é mais do que aquele que já é. O que te custa? Corre, o tempo está a passar. Esquece-te do resto, será o nosso segredo, ninguém saberá. Então? Estás a demorar mais do que o previsto? Que se passa com os teus pés? Parece que não descolam do chão, anda lá sei que te ensinaram a dar estes passos. Que se passa contigo? Porque não ouves a minha voz? Porque não respondes às minhas questões? Encontras-te surdo? E mudo. Ou será só aos meus apelos? Já calculava. Que se passa com as tuas mãos? Quem tas prendeu? Liberta-te, eu ajudo-te, de todas as angústias, tudo o que te atormenta. O tempo está a correr. Por cada segundo que demoras é um segundo de pleno riso que me retiras. Queres mesmo que eu sorria menos? Nem sequer tentes. Que se passa contigo? Estás a começar a ouvir os meus apelos? Oh, estás, estás. Ouve tudo direitinho, vou-te ajudar da melhor maneira, quero-te tirar desse teu túnel escuro. Um passo. O terceiro passo. Anda lá, já não falta tudo. Corre, foge, salta, pula, chega cá o mais rápido possível. Um comboio. É isso dirige-te à estação e apanha o primeiro comboio, o primeiro que aparecer à tua frente. Tenho a certeza que serás o único a percorrer esta viagem. O teu bilhete. Não precisas de te preocupar com isso, já o paguei há muito tempo. A viagem torna-se tão cansativa, não é? Sei-o bem. É a espera, a espera, a espera, que nos vai destruindo aos bocadinhos, arrastando com ela a nossa paciência. Anda lá. Esta primeira etapa já passou. Corre, não queiras perder tempo. O tempo é precioso. Oh não, cuidado. Tropeçaste. Estás bem? Que malditas pedras que teimam em colocar-se no nosso caminho. Não faz mal, não te preocupes, estou aqui para te ajudar a levantar. Dá-me a tua mão. Segura-a à minha. Isso, confia em mim, não te desiludirei. Agora levanta-te. Estás fraco, eu ajudo-te. Estás a recuperar bem, muitíssimo bem. Tens esse lindo rosto sujo. Eu coloco-lhe imediatamente um pano molhado. Não deixes que te sujem e que te pisem, que te maltratem e que te escondam o brilho desse rosto. Cabeça erguida, segue em frente. Dá novamente os teus primeiros passos. Vê lá se te lembras. Tal e qual como começaste a andar, tal e qual. Boa, isso mesmo. Anda lá, continuo à espera. Que se passa agora? Não voltaste a caír nem a tropeçar? Estarás tu bem? Anda lá, deixaste de ouvir os meus apelos? Eu continuo todos os dias a enviar-te todas as indicações. Nunca abri a boca para proferir tais palavras, mas eu sei que tu as ouves, eu sei lá no fundinho que tu as ouves, mas ignoras. Porquê? Não tiveste mais nenhum problema pelo caminho, e eu, eu continuo à espera, corre. Eu continuo à espera.
quinta-feira, 18 de março de 2010
(...)
Tenho uma vontade inabalável de escrever. Mas não, não sei o que hei-de escrever. Não consigo encontrar palavras, e já tentei inventar algumas, mas não se tem revelado uma tarefa nada fácil.
(...) Afinal foi devido à minha imaturidade que fiz as escolhas erradas, foi devido ao meu carácter, e à minha noção de ser superior que fez com que afastasse todos os que se tentavam aproximar. Se dei por isto? Não, nunca dei. Achava que estava a fazer as coisas bem, que os amigos serviriam para sempre. Que nunca me iam abandonar, que iam ser infinitos. Não estava mais no filme da barbie, que deixara para trás. E sinto uma vergonha quando admito que só agora deu para perceber.
Costuma-se dizer que por muito que tentemos ver as coisas, nunca as veremos se não acreditarmos nelas. Sempre fechei os meus olhos a novas amizades, como se se tratasse de um túnel escuro, sombrio, que não permitia a passagem de ninguém, para além daqueles que já me conheciam. E mais tarde, oh sim, senti o amargo das minhas atitudes. Nem sempre foi fácil ver amizades de anos serem levadas pelo vento. Se a culpa foi minha? Em parte. Mas acredito que talvez tenha sido deles. Tive dias infelizes, com a cabeça a andar à roda, farta de pensar o que estaria errado, como poderia mudar, como resolver as coisas. E sempre tive pessoas que me apoiaram tanto. Pessoas que à partida eram anónimas, mas que aos poucos iam-me criando aquele sorriso, que anteriormente era criado por outros igualmente importantes. Um obrigado muito especial aos meus papás, à carina, telma, ana, renata, marta e a muitos outros que se foram aproximando. Apesar de pensarem que se calhar não fizeram nada de extraordinário, só o facto de me terem sempre recebido de braços abertos foi muito bom.
Love is there, if you dont see it, look again
(...) Afinal foi devido à minha imaturidade que fiz as escolhas erradas, foi devido ao meu carácter, e à minha noção de ser superior que fez com que afastasse todos os que se tentavam aproximar. Se dei por isto? Não, nunca dei. Achava que estava a fazer as coisas bem, que os amigos serviriam para sempre. Que nunca me iam abandonar, que iam ser infinitos. Não estava mais no filme da barbie, que deixara para trás. E sinto uma vergonha quando admito que só agora deu para perceber.
Costuma-se dizer que por muito que tentemos ver as coisas, nunca as veremos se não acreditarmos nelas. Sempre fechei os meus olhos a novas amizades, como se se tratasse de um túnel escuro, sombrio, que não permitia a passagem de ninguém, para além daqueles que já me conheciam. E mais tarde, oh sim, senti o amargo das minhas atitudes. Nem sempre foi fácil ver amizades de anos serem levadas pelo vento. Se a culpa foi minha? Em parte. Mas acredito que talvez tenha sido deles. Tive dias infelizes, com a cabeça a andar à roda, farta de pensar o que estaria errado, como poderia mudar, como resolver as coisas. E sempre tive pessoas que me apoiaram tanto. Pessoas que à partida eram anónimas, mas que aos poucos iam-me criando aquele sorriso, que anteriormente era criado por outros igualmente importantes. Um obrigado muito especial aos meus papás, à carina, telma, ana, renata, marta e a muitos outros que se foram aproximando. Apesar de pensarem que se calhar não fizeram nada de extraordinário, só o facto de me terem sempre recebido de braços abertos foi muito bom.
Love is there, if you dont see it, look again
exactidão e precisão
Eram 10 da manhã. Não, não, quero ser precisa. Eram exactamente 10:03 da manhã. Caminhava a passos largos para me dirigir à secretaria da escola. Não com grande vontade, verdades sejam ditas. Mas tinha sido obrigada. Estava com uma certa pressa, tinha acordado nervosa, e tinha a certeza que aquele sentimento de insegurança se iria prolongar ao longo do dia. Caminhava numa passada larga, pouco olhava para o espaço exterior que me envolvia. Era só eu, eu e a minha bola de sabão, que estaria prestes a rebentar, devido a uma rajada de vento. Enquanto passava ouvia pequenos murmúrios, gargalhadas, discussões, os típicos palavrões, e cheguei a ouvir até insultos. Mas eu continuava, livre e feliz na minha bola de sabão. Quando cheguei ao meu destino verifiquei que aquele espaço estava atolado de gente. Parece que não era a única a quebrar uma norma. Estive algum tempo à espera, mas não, esperar não era definitivamente o meu forte. E encaminhei-me, só eu e a minha bola de sabão para outro compartimento. Sentei-me, descansei e pus-me a pensar. De facto, aquele dia estava a ser um pouco enfadonho. Estava perdida nos meus pensamentos quando me apercebi de um vulto a passar, que se encaminhava até mim a grande velocidade. "Credo, quem seria o ser humano detentor de tal perícia e rapidez?" Por momentos pensei que me encontrara numa prova de desporto. Mas aquela velocidade tinha sido abrandada. E aí é que percebi que vinha mesmo em direcção a mim. Encontrava-se a pequenos metros de mim, e eu, eu estava a reconhecer aquela cara. Eu reconhecia aquelas feições de algum lado, não podia ser. Cada vez mais perto de mim. Enquanto encurtava a distância que nos separava, olhei para o chão tentando contar os passos que lhe faltavam dar para chegar a mim, assim não teria de olhar para os seus olhos e não teria vontade de fugir. 10. Foram precisamente dez passos. E se não me engano foram 7 segundos que decorreram até ficarmos a poucos centímetros um do outro. O meu coração há muito tinha já começado a palpitar freneticamente, as borboletas na barriga, oh sim, essas doces borboletas tinham aparecido novamente. Um dia teria de ajustar contas com elas. As mãos suavam mais do que alguma vez algum desportista teria conseguido suar durante uma prova. O esforço deles é imenso, mas eu também me estava a esforçar, a esforçar para não caír na tentação de tocar nesse rosto majestoso. Tinhas-me pegado na mão-oh não, não pegues-, estava a suar como tudo. Ias pressentir que havia algo de errado comigo. Aproximaste-te, subitamente, fui surpreendida por um beijo doce na minha bochecha direita. E os teus lábios persistiam em não descolar da minha cara. E eu, eu não estava deveras importada.
Ouvi umas vozes ao fundo, vindas bem do fundo que me estavam a acordar. Oh não, não podia ser. Como? Era tudo tão real. Não, não posso ser desiludida de tal forma. Não agora, estava tudo tão bem. Mas tinha sido só um sonho, só uma porcaria de um sonho. E passados instantes tinha voltado tudo ao normal. Isto hoje tinha sido só um sonho, mas um dia ainda vai ser uma realidade. A minha realidade. A tua realidade. A nossa realidade.
Ouvi umas vozes ao fundo, vindas bem do fundo que me estavam a acordar. Oh não, não podia ser. Como? Era tudo tão real. Não, não posso ser desiludida de tal forma. Não agora, estava tudo tão bem. Mas tinha sido só um sonho, só uma porcaria de um sonho. E passados instantes tinha voltado tudo ao normal. Isto hoje tinha sido só um sonho, mas um dia ainda vai ser uma realidade. A minha realidade. A tua realidade. A nossa realidade.
sexta-feira, 12 de março de 2010
brilho
Um destes dias acordei, num emaranhado terrível de uma noite não dormida o suficiente. As pálpebras pesavam e a mente teimava em não acordar para a realidade. Como habitual fui acordada docemente pela minha mãe, que me avisou, como em todos os outros dias das horas, e do que tinha a fazer durante mais um dia agitadíssimo. Mas as suas confissões não ficaram por aqui. De repente, um silência súbito surpreendeu aquela divisão. Que se teria passado? Porque teria ela deixado de proferir as repetidas palavras que houvia todas as manhãs. E foi então que a vi a olhar para uma fotografia, uma fotografia minha, onde tinha sensivelmente 5 anos. As feições mantinham-se inalteráveis, o cabelo encontrava-se mais claro, e havia algo, algo místico, o que seria aquilo? que me diferenciava daquilo que era e do que sou hoje. Até que o meu pensamento foi corrompido por palavras que me criaram algum desconforto "Sorrias tanto nesta altura.". Pronto, tais palvras chegaram para me pôr a pensar. Ao que eu respondi "Agora também sorrio". Mas eu sei que não consegui ganhar a credibilidade que cria com aquela afirmação. É claro que sorrio, mas não daquela maneira, e aquela mística que diferencia do que era e do que sou hoje, é isso mesmo, esse brilho. Onde estaria agora esse brilho? Teria sido sugado para iluminar algo mais escuro? Teria-o eu doado a uma pequena estrela, para que pudesse brilhar com mais intensidade? O certo é que tinha desaparecido, ou então alguém o tinha ocultado. É certo que nessa altura não sabia o que sei hoje, não teria sido desiludida da maneira que fui hoje, mas sei também que nada disso é desculpa, sei também que não há nada que justifique a nossa perda de genuididade. Tudo o que é genuíno desaparece, porque se impôem padrões que nos levam a achar os nossos comportamentos algo deslocados daquilo a que se entende por normal. Eu fiquei com a minha genuididade nos aspectos negativos. Mas prometo que vou encontrar a minha genuidade em coisas boas. Ah, e prometo que vou também encontrar o brilho, oh sim,esse brilho de que tanto se fala, talvez esteja nos perdidos e achados, não vou fazer denúncia porque acho que ninguém mo roubou, apenas se perdeu, perdeu-se e eu vou encontrá-lo.
nós
Nunca fiquei indiferente a esse majestoso olhar, que me puxava para ti como se de uma força gravítica se tratasse. Por mais que tentasse desviar a minha atenção de ti, e eu tentei-o várias vezes, aparecias tu e alteravas o sentido das coisas. O que eu pensara que era certo, nada mais era do que uma farsa, e o que eu achava incorrecto era na verdade o que me prendia a ti. Sempre foi para mim uma aventura descobrir tudo o que se esconde por detrás desse olhar enigmático. Não sei o que me faz mais confusão em ti. Se será uma perfeição sem precedentes ou uma presença descomunal. Mais um dia com os olhos postos em ti, mais umas horas com a acabeça à volta de tantos mistérios. Já dá para me sentir feliz ver-te, poder sentir esse brilho. Mas as imagens varrem-se da minha mente, como as sementes são levadas pelo vento, e aquilo que guardo com carinho vai desaparecendo aos bocadinhos. Se ao menos pudesse ter registado acontecimentos em vez de imagens,talvez pudesse ter tudo mais presente, mas isso não aconteceu, e arrasta consigo uma angústia. O problema é que eu não me contento em ver o sol brilhar, preciso de sentir os seus raios queimarem a minha cara. Não me contento com um olhar, quando sei que é um sorriso que te quero arrancar.
Tantas vezes a ideia do "ai, o meu amor nunca mais chega", "ai se eu tivesse um namorado(a)". São meras desculpas, nada mais do que isso. Sabermos que alguém gosta de nós, sim, é fantástico, saber que alguém vai estar lá sempre, é ainda melhor. Mas o problema é como abordamos o amor, como vemos nele a nossa mala de primeiros socorros, pronta a ser utilizada sempre que nos ferem o coração. Mas não, não foi assim que o amor foi designado, não é essa a sua função. Com este nome abstracto, há também a ideia da salvação. Tantas vezes que pensamos que seremos mais felizes quando o encontrar, que seremos mais sorridentes ao ver que estamos a ser correspondidos por alguém com um sorriso resplandescente. E o mais triste é que incumbimos a um sujeito aparenteente desconhecido a nossa felicidade, damos-lhe a difícil tarefa de assegurar a nossa felicidade. Mas que acto cruel é este? o de pedir a nossa felicidade a um mero ser humano. é injusto, sim, é injusto, é deprimente quando não conseguimos encontrar a felicidade dentro de nós próprios e daquilo que nos põe feliz, e temos que "pedir" a alguém que nos cuide da nossa felicidade, que a trate com carinho, que a regue com todos os dias com litros e litros de amor. A felicidade está mesmo dentro de nós, nas mais pequenas coisas, em ouvir a nossa música preferida, no orgulho que temos do que fizémos ou do que alguém amigo fez, no ver brilhar o sol todos os dias, no olhar para as estrelas e descobrir que afinal, tudo até é simples. E só quando encontrarmos a felicidade de entre nós, vamos poder abraçar os nossos projectos, inclusivé o amor.
Tantas vezes a ideia do "ai, o meu amor nunca mais chega", "ai se eu tivesse um namorado(a)". São meras desculpas, nada mais do que isso. Sabermos que alguém gosta de nós, sim, é fantástico, saber que alguém vai estar lá sempre, é ainda melhor. Mas o problema é como abordamos o amor, como vemos nele a nossa mala de primeiros socorros, pronta a ser utilizada sempre que nos ferem o coração. Mas não, não foi assim que o amor foi designado, não é essa a sua função. Com este nome abstracto, há também a ideia da salvação. Tantas vezes que pensamos que seremos mais felizes quando o encontrar, que seremos mais sorridentes ao ver que estamos a ser correspondidos por alguém com um sorriso resplandescente. E o mais triste é que incumbimos a um sujeito aparenteente desconhecido a nossa felicidade, damos-lhe a difícil tarefa de assegurar a nossa felicidade. Mas que acto cruel é este? o de pedir a nossa felicidade a um mero ser humano. é injusto, sim, é injusto, é deprimente quando não conseguimos encontrar a felicidade dentro de nós próprios e daquilo que nos põe feliz, e temos que "pedir" a alguém que nos cuide da nossa felicidade, que a trate com carinho, que a regue com todos os dias com litros e litros de amor. A felicidade está mesmo dentro de nós, nas mais pequenas coisas, em ouvir a nossa música preferida, no orgulho que temos do que fizémos ou do que alguém amigo fez, no ver brilhar o sol todos os dias, no olhar para as estrelas e descobrir que afinal, tudo até é simples. E só quando encontrarmos a felicidade de entre nós, vamos poder abraçar os nossos projectos, inclusivé o amor.
quarta-feira, 3 de março de 2010
qualidade do teu defeito
Farta que me critquem estou eu. Sei que nunca fui a perfeição em pessoa, mas talvez seja demasiado perfeccionista. Os meus defeitos são provavelmente superiores às qualidades. Não gostava de lhes chamar defeitos, pois é aquilo que nos torna únicos, e que nos distingue enquanto meros seres humanos num Mundo feito de imitações. Qualidades? Também não aprecio esse nome. Diria que as qualidades são a primeira análise que fazem de nós. Porque, na verdade, só quem conhece os nossos defeitos, nos conhece realmente. Mas são os defeitos de alguém que nos deviam cativar e não a sua bondade ou simpatia, porque nisso todos sabemos mentir e representar, todos sabemos ser agradáveis quando queremos e para quem queremos. Mostrar o nosso outro lado é algo mais difícil, é algo gradual, que nunca chega a completar o seu processo. Se há alguém que goste de nós sem criticar uma única coisa? É bonito de acreditar, difícil de viver. Como nos faria feliz saber que não teríamos de mudar nada, que éramos intocáveis, e que poderíamos a qualquer hora rasgar o céu com um simples movimento que nos denunciasse. Mas não, é uma ilusão. Ilusão. Esta palavra já me vai criando um nó na garganta. Poderão dizer que sou uma anti-sentimentalista ao referir que não há ninguém que goste completamente de nós mas não é de todo o que sou. Se nós próprios egoístas, egocêntricos e perfeccionistas nos defeituamos, porque haveria de haver alguém com uma opinião diferente?
Já alguma vez repararam no quao frágil o ser humano é? Mas por oposição já pensaram em quao maquiavélico ele se pode tornar? Nunca quis acreditar em teorias, sempre tive ideias muito fixas que dificilmente se quebravam. Um abanão por vezes não chegava para as pôr a tremer como varas verdes. Então, como era possível que simples relações se estragassem com meras palavras? Talvez a resposta seja demasiado óbvia, e tudo tenha a ver com a confiança nelas colocada. Tal como numa construção. Se os tijolos estão soltos, estão mais vulneráveis à separação. Mas, se se encontram unidos por uma massa, por algo comum a separação devido a uma pequena rajada torna-se quase impossível. Era aqui que queria chegar e acrescentar que só algo pouco consolidado se pode quebrar devido à menor das tempestades.
wooow, primeiro texto
Há uns tempos que já pensava em criar um blogue. Mas ou não tinha tempo, ou arranjava uma péssima desculpa para não o fazer. Mas agora, não vejo porque não. Além de nos permitir demonstrar as nossas ideias, acho que é uma boa forma de patilharmos impressões. Adoro escrever e ler, daí o meu fascínio. Confesso que já andei a ver alguns blogues, e há textos sublimes. Hmmm, e à cerca de mim, 15 anos, Raquel, para o caso de alguém se dignar a visitar o meu blogue. Espero publicar brevemente vários textos.
*sementes
*sementes
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