Nunca fiquei indiferente a esse majestoso olhar, que me puxava para ti como se de uma força gravítica se tratasse. Por mais que tentasse desviar a minha atenção de ti, e eu tentei-o várias vezes, aparecias tu e alteravas o sentido das coisas. O que eu pensara que era certo, nada mais era do que uma farsa, e o que eu achava incorrecto era na verdade o que me prendia a ti. Sempre foi para mim uma aventura descobrir tudo o que se esconde por detrás desse olhar enigmático. Não sei o que me faz mais confusão em ti. Se será uma perfeição sem precedentes ou uma presença descomunal. Mais um dia com os olhos postos em ti, mais umas horas com a acabeça à volta de tantos mistérios. Já dá para me sentir feliz ver-te, poder sentir esse brilho. Mas as imagens varrem-se da minha mente, como as sementes são levadas pelo vento, e aquilo que guardo com carinho vai desaparecendo aos bocadinhos. Se ao menos pudesse ter registado acontecimentos em vez de imagens,talvez pudesse ter tudo mais presente, mas isso não aconteceu, e arrasta consigo uma angústia. O problema é que eu não me contento em ver o sol brilhar, preciso de sentir os seus raios queimarem a minha cara. Não me contento com um olhar, quando sei que é um sorriso que te quero arrancar.
Tantas vezes a ideia do "ai, o meu amor nunca mais chega", "ai se eu tivesse um namorado(a)". São meras desculpas, nada mais do que isso. Sabermos que alguém gosta de nós, sim, é fantástico, saber que alguém vai estar lá sempre, é ainda melhor. Mas o problema é como abordamos o amor, como vemos nele a nossa mala de primeiros socorros, pronta a ser utilizada sempre que nos ferem o coração. Mas não, não foi assim que o amor foi designado, não é essa a sua função. Com este nome abstracto, há também a ideia da salvação. Tantas vezes que pensamos que seremos mais felizes quando o encontrar, que seremos mais sorridentes ao ver que estamos a ser correspondidos por alguém com um sorriso resplandescente. E o mais triste é que incumbimos a um sujeito aparenteente desconhecido a nossa felicidade, damos-lhe a difícil tarefa de assegurar a nossa felicidade. Mas que acto cruel é este? o de pedir a nossa felicidade a um mero ser humano. é injusto, sim, é injusto, é deprimente quando não conseguimos encontrar a felicidade dentro de nós próprios e daquilo que nos põe feliz, e temos que "pedir" a alguém que nos cuide da nossa felicidade, que a trate com carinho, que a regue com todos os dias com litros e litros de amor. A felicidade está mesmo dentro de nós, nas mais pequenas coisas, em ouvir a nossa música preferida, no orgulho que temos do que fizémos ou do que alguém amigo fez, no ver brilhar o sol todos os dias, no olhar para as estrelas e descobrir que afinal, tudo até é simples. E só quando encontrarmos a felicidade de entre nós, vamos poder abraçar os nossos projectos, inclusivé o amor.
está muito muito bom. adoorei
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