Farta que me critquem estou eu. Sei que nunca fui a perfeição em pessoa, mas talvez seja demasiado perfeccionista. Os meus defeitos são provavelmente superiores às qualidades. Não gostava de lhes chamar defeitos, pois é aquilo que nos torna únicos, e que nos distingue enquanto meros seres humanos num Mundo feito de imitações. Qualidades? Também não aprecio esse nome. Diria que as qualidades são a primeira análise que fazem de nós. Porque, na verdade, só quem conhece os nossos defeitos, nos conhece realmente. Mas são os defeitos de alguém que nos deviam cativar e não a sua bondade ou simpatia, porque nisso todos sabemos mentir e representar, todos sabemos ser agradáveis quando queremos e para quem queremos. Mostrar o nosso outro lado é algo mais difícil, é algo gradual, que nunca chega a completar o seu processo. Se há alguém que goste de nós sem criticar uma única coisa? É bonito de acreditar, difícil de viver. Como nos faria feliz saber que não teríamos de mudar nada, que éramos intocáveis, e que poderíamos a qualquer hora rasgar o céu com um simples movimento que nos denunciasse. Mas não, é uma ilusão. Ilusão. Esta palavra já me vai criando um nó na garganta. Poderão dizer que sou uma anti-sentimentalista ao referir que não há ninguém que goste completamente de nós mas não é de todo o que sou. Se nós próprios egoístas, egocêntricos e perfeccionistas nos defeituamos, porque haveria de haver alguém com uma opinião diferente?
Sem comentários:
Enviar um comentário