quinta-feira, 18 de março de 2010

exactidão e precisão

Eram 10 da manhã. Não, não, quero ser precisa. Eram exactamente 10:03 da manhã. Caminhava a passos largos para me dirigir à secretaria da escola. Não com grande vontade, verdades sejam ditas. Mas tinha sido obrigada. Estava com uma certa pressa, tinha acordado nervosa, e tinha a certeza que aquele sentimento de insegurança se iria prolongar ao longo do dia. Caminhava numa passada larga, pouco olhava para o espaço exterior que me envolvia. Era só eu, eu e a minha bola de sabão, que estaria prestes a rebentar, devido a uma rajada de vento. Enquanto passava ouvia pequenos murmúrios, gargalhadas, discussões, os típicos palavrões, e cheguei a ouvir até insultos. Mas eu continuava, livre e feliz na minha bola de sabão. Quando cheguei ao meu destino verifiquei que aquele espaço estava atolado de gente. Parece que não era a única a quebrar uma norma. Estive algum tempo à espera, mas não, esperar não era definitivamente o meu forte. E encaminhei-me, só eu e a minha bola de sabão para outro compartimento. Sentei-me, descansei e pus-me a pensar. De facto, aquele dia estava a ser um pouco enfadonho. Estava perdida nos meus pensamentos quando me apercebi de um vulto a passar, que se encaminhava até mim a grande velocidade. "Credo, quem seria o ser humano detentor de tal perícia e rapidez?" Por momentos pensei que me encontrara numa prova de desporto. Mas aquela velocidade tinha sido abrandada. E aí é que percebi que vinha mesmo em direcção a mim. Encontrava-se a pequenos metros de mim, e eu, eu estava a reconhecer aquela cara. Eu reconhecia aquelas feições de algum lado, não podia ser. Cada vez mais perto de mim. Enquanto encurtava a distância que nos separava, olhei para o chão tentando contar os passos que lhe faltavam dar para chegar a mim, assim não teria de olhar para os seus olhos e não teria vontade de fugir. 10. Foram precisamente dez passos. E se não me engano foram 7 segundos que decorreram até ficarmos a poucos centímetros um do outro. O meu coração há muito tinha já começado a palpitar freneticamente, as borboletas na barriga, oh sim, essas doces borboletas tinham aparecido novamente. Um dia teria de ajustar contas com elas. As mãos suavam mais do que alguma vez algum desportista teria conseguido suar durante uma prova. O esforço deles é imenso, mas eu também me estava a esforçar, a esforçar para não caír na tentação de tocar nesse rosto majestoso. Tinhas-me pegado na mão-oh não, não pegues-, estava a suar como tudo. Ias pressentir que havia algo de errado comigo. Aproximaste-te, subitamente, fui surpreendida por um beijo doce na minha bochecha direita. E os teus lábios persistiam em não descolar da minha cara. E eu, eu não estava deveras importada.
Ouvi umas vozes ao fundo, vindas bem do fundo que me estavam a acordar. Oh não, não podia ser. Como? Era tudo tão real. Não, não posso ser desiludida de tal forma. Não agora, estava tudo tão bem. Mas tinha sido só um sonho, só uma porcaria de um sonho. E passados instantes tinha voltado tudo ao normal. Isto hoje tinha sido só um sonho, mas um dia ainda vai ser uma realidade. A minha realidade. A tua realidade. A nossa realidade.

1 comentário:

  1. Está muito bonito. Faço muita força para que a tua relidade se torne possível.

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