
Não importa o tempo que demores. Mexe-te. preciso de ti. É tão fácil. Corre. Anda lá, não queiras perder tempo, não queiras encher-me de mais desassossego, a paciência está a esgotar-se e o tempo também. Não, não basta um passo para cá chegares. Corre. Tens barreiras? Eu sei, nem sempre é fácil chegar onde queremos. Salta por cima delas. Anda lá, o segundo passo é dos mais importantes. Não estejas indeciso. Sabes que te espero há muito, muito tempo, tempo demais. É difícil fazer agora a conta de todos os segundos que já esperei por ti, nem o quero fazer, dava a ideia de que o tempo é mais do que aquele que já é. O que te custa? Corre, o tempo está a passar. Esquece-te do resto, será o nosso segredo, ninguém saberá. Então? Estás a demorar mais do que o previsto? Que se passa com os teus pés? Parece que não descolam do chão, anda lá sei que te ensinaram a dar estes passos. Que se passa contigo? Porque não ouves a minha voz? Porque não respondes às minhas questões? Encontras-te surdo? E mudo. Ou será só aos meus apelos? Já calculava. Que se passa com as tuas mãos? Quem tas prendeu? Liberta-te, eu ajudo-te, de todas as angústias, tudo o que te atormenta. O tempo está a correr. Por cada segundo que demoras é um segundo de pleno riso que me retiras. Queres mesmo que eu sorria menos? Nem sequer tentes. Que se passa contigo? Estás a começar a ouvir os meus apelos? Oh, estás, estás. Ouve tudo direitinho, vou-te ajudar da melhor maneira, quero-te tirar desse teu túnel escuro. Um passo. O terceiro passo. Anda lá, já não falta tudo. Corre, foge, salta, pula, chega cá o mais rápido possível. Um comboio. É isso dirige-te à estação e apanha o primeiro comboio, o primeiro que aparecer à tua frente. Tenho a certeza que serás o único a percorrer esta viagem. O teu bilhete. Não precisas de te preocupar com isso, já o paguei há muito tempo. A viagem torna-se tão cansativa, não é? Sei-o bem. É a espera, a espera, a espera, que nos vai destruindo aos bocadinhos, arrastando com ela a nossa paciência. Anda lá. Esta primeira etapa já passou. Corre, não queiras perder tempo. O tempo é precioso. Oh não, cuidado. Tropeçaste. Estás bem? Que malditas pedras que teimam em colocar-se no nosso caminho. Não faz mal, não te preocupes, estou aqui para te ajudar a levantar. Dá-me a tua mão. Segura-a à minha. Isso, confia em mim, não te desiludirei. Agora levanta-te. Estás fraco, eu ajudo-te. Estás a recuperar bem, muitíssimo bem. Tens esse lindo rosto sujo. Eu coloco-lhe imediatamente um pano molhado. Não deixes que te sujem e que te pisem, que te maltratem e que te escondam o brilho desse rosto. Cabeça erguida, segue em frente. Dá novamente os teus primeiros passos. Vê lá se te lembras. Tal e qual como começaste a andar, tal e qual. Boa, isso mesmo. Anda lá, continuo à espera. Que se passa agora? Não voltaste a caír nem a tropeçar? Estarás tu bem? Anda lá, deixaste de ouvir os meus apelos? Eu continuo todos os dias a enviar-te todas as indicações. Nunca abri a boca para proferir tais palavras, mas eu sei que tu as ouves, eu sei lá no fundinho que tu as ouves, mas ignoras. Porquê? Não tiveste mais nenhum problema pelo caminho, e eu, eu continuo à espera, corre. Eu continuo à espera.
ai o tempo que se perde...
ResponderEliminardeve tar a chegar.
o texto esta muito bom.
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sugestao. mete esta musica junto com este texto
ResponderEliminarNickelback - Never Gonna Be Alone
muito bom:)
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